La pista
Quando eu danço o chão se move comigo. Quando me mexo conforme o ritmo da música tudo se mexe comigo. Eu sei que você não quer, dançar comigo aqui. Eu sei que você odeia... odeia... odeia isso aqui. As pessoas, o ritmo, a batida... Odeia... Odeia... Sempre.
Mas, eu não consigo me conter. Não consigo. Quando vejo já estou na pista, com uma bebida na mão e a outra no ar balançando conforme o som.
Sei que gostaria de fugir daqui. Sei que detesta esse som. A melodia entra pelo seu ouvido e você berra de raiva, quero ir, sair, vamos para casa.
O que eu faço? Meus pés se movem sozinho. Movem-se, movem-se sozinhos. Meu corpo balança sozinho. Tudo se mexe comigo. Todos se mexem comigo. Para frente, para trás, vira-vira-vira-vira... Ah!
O corpo vai suando... Vai cansando, mas eu não consigo parar, quero pular, berrar, quero me afogar aqui mesmo. Não dá para parar! Consegue entender o que esse som faz comigo? A batida tremendo. Eu não quero ir, pode ir... Eu quero ficar fechar a balada, quero cansar, dançar até sangrar meus pés. Eu quero morrer de cansaço, meu bem.
Essa noite eu quero morrer de cansaço, meu bem.
Dormir e acordar cansada.
Por que não tira esse bico dos lábios? Me beija agora.
Disfarça a raiva.
Ah, disfarça a raiva na minha boca, querido.
Por que não disfarçar a raiva na minha boca?
Vem dançar comigo. Sufocar comigo.
Perder o ar na melodia.
Meu bem, vem me sufocar no ritmo da batida.
Vem!
Tira esse bico da boca!
E vem! Agora.
Vem agora...
Vem...
Vem...
Porque daqui eu não saio.



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