E ela foi passando...

Ah! Ela foi passando. Revirando-me. Amarrando-me. Como eu amo seu perfume. Coco e baunilha, enjoativo, tão doce. Ah, como eu amo o seu jeitinho meigo. Esse jeito único de rebolar, andar e parar. O que é isso, meu amigo?  O que essa mulher faz comigo? Fico aqui me perguntando. Questionando-me. Esse beijo que não quero esquecer. Esse beijo com gosto de menta. Fica se repetindo em minha mente sem parar. Quem disse que vou me atrever a parar? Não dá. Eu quero mais desse batom manchando meus lábios. Um pouco mais de menta na minha língua. Como posso esquecer esse gostinho único? Não dá.

Essa mulher vai passando,  e eu aqui pedindo para ela ficar. Vai, minha flor, linda, o que eu faço para você ficar? Eu quero tanto sentir a sua mão pequenininha na minha nuca novamente. As minhas se dividindo entre afagar os seus cabelos e deslizar por suas costas... Aí! O que eu faço com meu coração? Ele está explodindo aqui e não quer parar. Acho que vou sofrer um ataque. Se eu cair, aqui desfalecido, você vem me salvar? Se sim, eu me finjo de morto agora mesmo. Ah, garota, eu quero tanto... Até perco o ar!

Ufa!

Tum... Tum... Tum... Você está escutando? É o meu pobre coração enfartando. Tudo culpa sua, minha querida. Culpa por ter esse sabor. Ah, por ter esse jeito. Por ser assim. Não vê? Eu estou sofrendo porque quero mais e não posso ter. Eu quero tanto, tanto que até poderia me chamar de mimadinho. Mas, o que eu quero mesmo é mimar você. Poe no colo, aconchego, e tudo mais o que me pedir. Porque, minha flor, você que é tão delicadinha, toda fofa, inocentinha, não vê o efeito que causa em mim.

Nunca poderia chamar você de cega, tola ou fingida. Eu sei a ingenuidade. Mal imagina o lobo que a persegue.

Escute o meu uivo, o meu desejo à meia-noite. Vou chamando... Esperando que você me escute. Consegue ouvir? O meu corpo todo vibra por você.

Ah, menina, se for passar, pode ir passando, mas me deixe ficar com você por alguns segundos. Quero ver se faço sua cabeça e vou logo convencendo a sua ideia de ir.

Fica aqui, abaixa aqui, um pouco mais... bem aqui.
Sabe como é.

Minha flor, eu quero mais menta na minha língua. Que tal?


Comentários

Anônimo disse…
Que é isso Dani? Querendo agarrar a moça?
KKKK
O que te fez escrever esse texto?
Bjinhos!
Liana
Anônimo disse…
O desenho é seu?? Tá lindoooo *-*
Liana
Unknown disse…
Dani... Dani... Hahahaha
Muito bom o texto!
bjos
_ disse…
Olá, Daiane.

Perspectiva bem interessante já que assumiu um narrador realmente desligado da autora. Parabéns!

Beijos.
Dani, sensacional!
Vinicius de Moraes também se passou por muitas vezes como mulher, é um modo artístico do escritor. Adorei seu texto; No More Words.
_ disse…
Olá, Daiane.

Relendo o seu texto, lembrei-me de um poema de Neruda e resolvi colocá-lo aqui ("menta"). Beijos.


"Coração Amarelo

De tanto andar uma região
que não figurava nos livros
acostumei-me às terras tenazes
em que ninguém me perguntava
se me agradavam as alfaces
ou se preferia a menta
que devoravam os elefantes.
E de tanto não responder
tenho o coração amarelo."
Dani disse…
Valeu pessoal!!

E LI, não ;.; o achei no google meu salvador. ahhaa

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