Essa tempestade Parte II

Ai essa ventania que vem tão tímida... Com esse vento gostoso que arranha minha pele e que me faz cócegas. Essa ventania que vem sem dizer nada. Vem ventania, vem me arrasa e me leva de uma vez daqui.


Porque toda ventania quando se rebela... Porque toda ventania quando aumenta... E as nuvens escurecem... É porque a tempestade se aproxima. As gotas da chuva caem sobre o meu corpo... E me molham, como se para não me fazer esquecer nem por um segundo que ela vai me arrasar.


Então, o terremoto perdeu o efeito. Ele não me faz mais tremer, não me faz mais temer... Ele não tem mais graça para mim. Ele não me traz nada de bom. O terremoto não me dá mais emoção. O terremoto não palpita mais meu coração.


E como dói quando não se sente o chão tremer. Como dói quando o tempo não passa. Quando a tempestade vem e arrasa, deixando marcas... E quando o sopro do vento não mais acaricia, mas congela e machuca.

Como arde dentro do peito uma nevasca. Congelando tudo por onde passa. Como ela machuca a alma. Fere a pele, arranha e torce com força, derrete sorrisos, esperanças, momentos... Vai levando tudo, completamente tudo com ela.

Então, eu me ajoelho, pedindo... Vem furacão, rodopia por cima de mim. Rodopia por cima de tudo. Arranca tudo do chão. Porque se o terremoto não mais treme... Só o furacão para me fazer tremer inteira. Tão inteiramente que nenhum pedaço há de sobrar. Nenhum único pedaço de mim. Vou me despedaçar, levada por esse furioso e louco furacão... Ah, vou me deixar levar... Porque eu quero sentir o gosto da areia que levanta do chão, o sabor da poeira.

E quando tudo parar. Parar de vez. Parar para sempre. Eu vou buscar o maremoto para me molhar toda. Um tsunami inteiro para me satisfazer dessa minha ânsia.


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