Conto Livre: Su limon




Era uma noite tão chuvosa, eu andava embriagado, era um boêmio nato. Entrei no primeiro beco que eu vi. A verdade era que os prazeres carnais falavam mais alto do que qualquer consciência que eu pudesse ter. Quando eu me dei conta já estava deitado sentido o cheiro de lavanda em seu pescoço. Os beijos quentes em meu pescoço e passando a mão por seus cabelos negros sedosos. Então, tudo aconteceu e eu dormi. Simplesmente adormeci.
Acordei no outro dia, ela já vestida e perfumada, eu aos trapos, olhei para ela atentamente. Era algum gênero de mulher latina desconhecida em minha mente européia. Era de sensualidade extrema e com fortes traços de beleza. Ela sorriu e gentilmente se aproximou de mim, pegou minha carteira e a abriu.
-Obrigada, senhor. –disse sem muito enrolar, beijo-me a testa em um ato rápido e desapareceu do quarto daquela espelunca que ainda podia chamar de casa noturna, se é que me entendem.
Eu fiquei parado e fascinado por alguns instantes. Levantei-me, coloquei os meus trapos que eu usava na noite anterior e abri minha carteira, não havia nem mais um tostão. A prostituta havia me roubado até as moedas de menores custos. A questão é que não me importei. Tomei meu rumo. Voltei, trabalhei e voltei a me embebedar nos últimos raios do sol do dia.
Caminhei até voltar ao beco. Até encontrá-la e pagar por seus serviços com o dinheiro que peguei emprestado do meu melhor amigo dizendo que estava gravemente doente e não havia tostão algum para eu pagar minhas despesas médicas. Acordei com ela se despedindo novamente.
Isso foi se repetindo tanto que se tornou uma parte do meu cotidiano. Eu até cumprimentava alguns clientes quando chegava e saia de tanto que eu ia e vinha e voltava e ia embora.
-Adeus, senhor Martim, a noite parece ter sido boa.
-Com licença, senhor Sandré, parece realmente que se divertiu.
-Nunca lhe vi com um rosto tão saudável senhor Jean-Jean.
Eu sempre a queria e sempre ficava com ela. Todas as noites eu lhe pagava, tornei-me seu fixo. Depois, eu a fiz aos poucos conhecer meus amigos, conhecidos e até meu antigo avô. Eu lhe dei flores e sempre terminávamos do mesmo jeito que sempre. Eu acordava quando ela estava se vestindo. Tornei-me obsessivo e atordoado, fiz questão de botar-lhe logo um anel no dedo e menti quando disse que era pura como um botão de rosa. Em menos de um ano, estávamos sobre o mesmo teto, terminando os dias da mesma forma de sempre. Claro, ela se trocando para cuidar da casa.
Foi numa noite qualquer que o trabalho me chamou para uma viagem de três dias. Voltei, passou-se três meses e precisei viajar por uma semana. Mais três viagens sucederam-se e na última delas voltei uma noite antes.
-Vamos me mostre su limón. – Eu ouvi alguém dizer quando cheguei perto do quarto, do nosso ninhozinho. Então, eu olhei para os lados. Um estranho estava em casa. - su limón. – repetiu o ser. Sabia, mais que nunca, que o barullo vinha do quarto. Abri a porta e lá estava ela com outro. Estremeci ao ver que era o meu melhor amigo, aquele mesmo que me emprestou o dinheiro. Eu estremeci, tremi e gritei feito um louco. Então, em um ato impensado, eu fechei a porta e fui até a biblioteca, abri a gaveta do armário e tirei uma caixa preta.
A questão era que dentro da caixa havia uma arma. Apontei para minha cabeça e:
-Não! –era ela. –Por favor, não.
Meu amigo apareceu logo atrás. Ambos estavam semi-nus. Eu quase vomitei ao ver a cena.
-Comovente. Mas, quem disse que sou eu quem vai morrer? –então, eu atirei primeiro nele, não sei o motivo. Só sei que eu preferia naquela hora assim. Ela gritou desesperada. – Mostre me su limón. –eu falei entre risos e atirei.

Os empregados ouviram. A polícia veio e eu claro fugi. Posso ser um boêmio bêbado que casou com uma prostituta e virou da noite para o dia um assassino, mas ainda acho que posso viver um bocado mais sem uma sentença nas costas.


FIM

Inspiração:
"Te quiero puta" da banda alemã Rammstein.
http://www.youtube.com/watch?v=IcF-OsJnkjk

Comentários

Poke (vini) disse…
ahhaha espero que a musica não assuste ninguém!

vc podia ter esticado um pouco esse conto né? mas acho que ficou bem a ver com a musica, boemia e decadencia, só acho que podia acabar diferente o conto-e vc podia ter o esticado um pouco mais!
Cosette disse…
Nossa, eu já ouvi essa musica, eh mto louca! O conto tbm ficou otimo, adoro contos e historias assim. Fiquei desejando uma continuaçao! *olhos brilhando*
Muito bom o texto... Tudo a ver com a musica mesmo (que por sinal é excelente, Rammstein ftw)!!!
t0ddy disse…
mas mas mas
por favor....

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